fbpx

Doença do Carrapato (Erliquiose e Babesiose)

A doença do carrapato é uma enfermidade com grande casuística nas clínicas veterinárias e envolve agentes como bactérias e protozoários. As mais comuns são a Erliquiose e a Babesiose, ambas transmitidas pelo Rhipicephalus Sanguineus (carrapato marrom) endêmico na maior parte do Brasil.

Doença do carrapato erliquiose e babesiose

São enfermidades semelhantes, com sinais clínicos inespecíficos, podendo ser confundidos com outras doenças, porém com agentes etiológicos diferentes. A maior prevalência da doença ocorre normalmente no verão, onde as mudanças climáticas favorecem a reprodução dos carrapatos e liberação de ovos contaminando o ambiente.

A transmissão dessas doenças ocorre através da picada do carrapato infectado com a bactéria Erliquia canis, no caso da Erliquiose e dos protozoários Babesia canis e Babesia gibsoni, no caso da Babesiose.

Estes agentes caem na corrente sanguínea durante a repasto do carrapato e para que a infecção ocorra, o carrapato deve ficar fixado por horas na pele do animal. A infecção também pode ocorrer por transfusão sanguínea, sendo esta mais rara.

carrapato marrom

Cães de qualquer idade, sexo ou raça estão predispostos a desenvolver a doença. Quando esses parasitas entram no organismo do pet acabam infectando as células sanguíneas responsáveis pela defesa do organismo, desencadeando sinais clínicos variados.

Os seres humanos podem ser infectados com essas doenças, porém os casos são bem raros. Vale ressaltar que o seu bichinho de quatro patas não passa a doença para o humano, a transmissão ocorre através da picada do carrapato!

Erliquiose

A bactéria Erliquia canis são parasitas intracelulares obrigatórios de leucócitos e plaquetas, ou seja, ela multiplica e se aloja nas células de defesa do organismo, fazendo com que seu pet fique debilitado e com a imunidade baixa. Como foi mencionado, os sinais clínicos serão inespecíficos, podendo o seu pet apresentar:

  • Apatia
  • Vômitos
  • Perda de peso
  • Febre
  • Sangramentos espontâneos
  • Hematomas
  • Artrites
  • Convulsões
  • Plaquetas baixas
  • Anemia e outros sinais

Na erliquiose, a partir do momento que o carrapato infecta o pet, a doença pode acontecer em três fases distintas:

Fase aguda

Normalmente dura entre 2 a 4 semanas. É onde podemos notar febre, aumento do fígado (hepatomegalia), aumento do baço (esplenomeglia), sinais de sangramento nasal, manchas vermelhas pelo corpo, perda de peso, secreção ocular e nasal. As alterações laboratoriais nesta fase são brandas como anemia leve e uma leve diminuição das plaquetas.

Fase subclínica

Pode durar meses ou anos. Nesta fase o animal não apresenta sinais clínicos, ou seja, ele tem a doença, mas não manifesta os sintomas. Porém, em alguns casos, o animal pode desenvolver problemas oculares. Nos exames podemos também observar a queda das plaquetas.

Fase crônica

A fase crônica da erliquiose se assemelha a uma doença autoimune. É uma fase mais complicada, pois o animal pode desenvolver doença renal crônica devido à deposição de imunocomplexos nos rins, aumento das enzimas ureia e creatinina de origem renal, anemia, emagrecimento progressivo, úlceras na cavidade bucal, problemas nas articulações e perda do apetite.

Babesiose

A babesiose é uma doença parasitária causada pelos protozoários Babesia canis e Babesia gibsoni, transmitida ao cão durante a picada do carrapato marrom, semelhante a erliquiose.

Esses protozoários invadem as hemácias, que são células do sangue responsáveis pelo transporte de oxigênio do organismo, começam a se multiplicar causando a destruição dessas células, perda de peso, indisposição, febre, mucosas amareladas (ictéricas) porque quando as hemácias são destruídas, extravasa um pigmento chamado bilirrubina deixando a coloração amarelada nas mucosas do animal, fraqueza, urina escura, entre outros sinais clínicos.

Nos exames de sangue é comum a presença de anemia devido à destruição das hemácias. Lembrando que também pode haver outras alterações hematológicas como diminuição das plaquetas (trombocitopenia), aumento de bilirrubinas no sangue, aumento do fígado e baço assim como na erliquiose.

Diagnóstico

Para confirmar a suspeita, vários exames podem ser utilizados como forma de diagnóstico dessas enfermidades e devem incluir o histórico clínico do pet, presença de carrapatos no animal, exames de sangue, como hemograma e a bioquímica sérica, testes sorológicos e testes rápidos que estão disponíveis na maioria das clínicas veterinárias.

Tratamento

O tratamento deve incluir o uso do antibiótico, antiparasitários, vitaminas do complexo B, alguns minerais e de outras medicações de suporte, como remédios para vômitos, hepatoprotetores (medicação que protege o fígado) e probióticos de acordo com os sinais clínicos, devendo ser estabelecido pelo médico veterinário.

Prevenção

Há diversas maneiras de prevenir a infestação de carrapatos no seu pet, dentre elas podemos citar as coleiras repelentes, medicações orais, sprays e pipetas. Podemos utilizar essas medicações de forma combinada. É importante lembrar que essas medicações devem ser prescritas e orientadas pelo médico veterinário, só ele quem vai analisar cada caso e o protocolo deverá ser individualizado.

como prevenir a doença do carrapato

Para o tutor, é importante evitar lugares onde tenha um aglomerado de cães e sempre deixar a casa limpa removendo os entulhos, pois os carrapatos são sensíveis à luz, quanto mais o ambiente for quente, úmido e escuro, mais eles conseguem se reproduzir, causando assim uma infestação.

Inspecionar sempre seu animalzinho quanto a presença de carrapatos é um ato importante, pois os mesmos gostam de ficar em lugares escondidos na pele do seu animal, são eles: ouvidos, entre os dedos das patinhas, ao redor do ânus e das axilas.

A doença do carrapato pode ser prevenida, ela tem cura e tratamento, portanto não deixe seu pet desprotegido, mantenha as medicações sempre em dia e faça visitas frequentes ao veterinário.